Empresas de Biotecnologia e o acesso a Investidores

10/06/2014

A longa estrada das “Ciências da Vida” e a via expressa dos “Mercados de Capitais”: Quando (e como) elas se cruzam?

biotec

por Rafael Toledo (Banco Sumitomo Brasil) e Alexandre Alves (INSEED Investimentos)

Apesar de ser uma realidade lá fora, a presença do investidor nas empresas da bioindústria ainda engatinha no Brasil. Segundo pesquisa realizada em 2011 pela PwC Brasil e a Biominas Brasil, apenas 19% dos recursos empregados no setor vinham de investidores. O que muitos empreendedores ainda desconhecem no Brasil, é que além do aporte de recursos significativos mediante análise criteriosa, os investidores contribuem também com suporte gerencial, direcionamento estratégico, rede de contato chaves e práticas de boa gestão (governança). Aumentar a participação de investidores em empresas de biotecnologia pode ser um fator chave para o Brasil aproveitar todo o potencial de sua rica biodiversidade, reconhecida em todo o mundo.

A Biotecnologia tem origem na interseção dos conhecimentos de ciências mãe – Engenharia, Química e Biologia. É um ramo da ciência que coloca em prática conhecimentos sobre os processos biológicos e sobre as propriedades dos seres vivos, com o fim de resolver problemas e criar soluções de utilidade. Uma das formas de trazer ao grande público as inovações desenvolvidas por esta área é através da criação de empresas baseadas nesse tipo de conhecimento.

A disponibilidade de recursos financeiros é um dos pilares para o crescimento da bioindústria devido ao longo ciclo de desenvolvimento dos produtos e aos riscos inerentes à pesquisa e inovação.  O acesso a um volume significativo de recursos via mercado de capitais – investidores e fundos de capital de risco – é um caminho relevante para alavancar empresas deste setor, somando-se a outros mecanismos de financiamento de médio e longo prazo com condições diferenciadas para P, D & I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação).

Fundos de Investimento

Juntamente com outras formas de financiamento (subvenções, capital próprio, bancos, etc), os Fundos de Investimentos em Participações – FIPs – podem (e devem!) desempenhar um importante papel para que as descobertas das ciências cumpram seu ciclo de desenvolvimento e alcancem aplicação e benefícios junto à sociedade. O objetivo de um Fundo é buscar oportunidades que apresentem boas equações de risco/ retornos e ofereçam um resultado acima da média para os investidores. São considerados ativos alternativos e implicam uma gestão ativa da carteira e muita proximidade com os empreendedores e a estratégia de cada negócio. Afinal, o sucesso de investidores, Fundo e empresas está diretamente associado ao nível de alinhamento que se consegue obter entre todas estas partes.

Dadas às características das empresas de biotecnologia, o capital do investidor se faz ainda mais necessário no contexto brasileiro. Ainda segundo a pesquisa de 2011 da PwC/Biominas, 92% destas empresas faturavam menos de R$ 10 milhões anuais, evidenciando o estágio prematuro dessa atividade. Outra constatação que indica os benefícios que esse tipo de parceria pode trazer às empresas é de que “grande parte das empresas nacionais de biociências norteia-se pela inovação, porém, tal potencial inovador não tem se refletido em resultados econômicos significativos ou crescentes”. O país conduz várias pesquisas na fronteira do conhecimento em biociências, mas nesta área ainda temos poucos casos de sucesso de inovação “made in Brasil” que chegaram até o mercado. Uma das referências em inovação neste segmento é a Natura, empresa que incorporou à sua cultura a pesquisa e a inovação a partir da biodiversidade brasileira. A Natura é uma S/A de capital aberto.

A despeito dos desafios comuns às empresas mais jovens em estágios iniciais de desenvolvimento, o mercado para as aplicações biotecnológicas começa a deslanchar no Brasil e promete bons frutos. De maneira geral, o setor de biotecnologia apresenta-se com forte potencial de crescimento e geração de riqueza para o País. Para isso, é necessário que o contexto produtivo esteja alinhado com ferramentas alternativas de financiamento, além das utilizadas tradicionalmente. Daí a importância de instrumentos financeiros, como os FIPs, para ajudar a alavancar essa atividade no Brasil.

INSEED FIMA

Um exemplo recente e inovador de FIP é o FIP INSEED FIMA, destinado a empresas que tenham em seu DNA a pré-disposição para inovar, com atividades que gerem impacto positivo no meio ambiente e cujo faturamento anual seja inferior a R$ 20 milhões.

A INSEED acredita que a filosofia do FIP INSEED FIMA é simbiótica com as atividades da bioindústria. Filhas da inovação e da sustentabilidade, as empresas de biotecnologia já nascem elegíveis ao Fundo.

Nos últimos anos, uma série de políticas industriais privilegiaram a bioindústria. Um exemplo foi a Política de Desenvolvimento da Biotecnologia (PDB), que objetiva o desenvolvimento da bioindústria no Brasil, e elegeu quatro áreas-foco para serem priorizadas dentro do setor:

  • Área de Saúde Humana
  • Área Agroindustrial
  • Área Industrial
  • Área Meio Ambiente

A partir das diretrizes estipuladas pela PDB, a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) mapeou em 2009 os principais temas do setor quanto ao grau de sustentabilidade e  esforço requerido para implantação. O resultado foi a matriz abaixo:

Temas do Setor de Biotecnologia (ABDI)

Em linha com as diretrizes governamentais de incentivo à indústria, a equipe de prospecção do Fundo INSEED FIMA, que conta também com a parceria e assessoria especializada do Banco Sumitomo Brasil na área de negócios ambientais e mecanismos de produção mais limpa, espera encontrar grandes oportunidades nas áreas:

Oportunidades do Fundo INSEED FIMA